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17 de jul de 2010

4ª Série participa da Olimpíada de Língua Portuguesa

Os alunos da 4ª série estão desenvolvendo atividades da Olimpíada de Língua Portuguesa – “Escrevendo o Futuro” e estão muito entusiasmados com o que têm aprendido sobre a arte da Poesia. O material é de excelente qualidade e as oficinas de leitura e produção de textos são atrativas, fazendo com que os alunos fiquem cada vez mais apaixonados pelo gênero. Tanto que ao saírem de férias, levaram para casa livros de Poesia. As atividades de que eles mais gostaram até agora foram as que envolvem o trabalho em grupo na produção de poemas. Separamos alguns exemplos das atividades desenvolvidas:


1º) Os alunos leram e ouviram quadras como estas de Fernando Pessoa:

Não digas mal de ninguém,
Que é de ti que dizes mal.
Quando dizes mal de alguém
Tudo no mundo é igual.

A caixa que não tem tampa
Fica sempre destampada.
Dá-me um sorriso dos teus
Porque não quero mais nada.

Após analisar o número de sílabas poéticas e o ritmo aliado às rimas, foi a vez de cada grupo criar uma quadra. Eles gostaram tanto da atividade que não criaram apenas uma, mas várias.

2º) O papel e o tipo de rimas (externas e internas) também foi analisado durante as atividades. Um texto coletivo foi produzido após a leitura e o estudo do poema abaixo de Otávio Roth:

Duas dúzias de coisinhas à toa que deixam a gente feliz

Passarinho na janela, pijama de flanela, brigadeiro na panela.
Gato andando no telhado, cheirinho de mato molhado, disco antigo sem chiado.
Pão quentinho de manhã, dropes de hortelã, grito do Tarzan.
Tirar a sorte no osso, jogar pedrinha no poço, um cachecol no pescoço.
Papagaio que conversa, pisar em tapete persa, eu te amo e vice-versa.
Vaga-lume aceso na mão, dias quentes de verão, descer pelo corrimão.
Almoço de domingo, revoada de flamingo, herói que fuma cachimbo.
Anãozinho de jardim, lacinho de cetim, terminar o livro assim.

Os alunos foram levados a analisar que se trata de uma lista poética com rimas internas. Os alunos, coletivamente, fizeram o mesmo: uma lista de coisinhas simples que os deixam felizes. Esta lista foi separada em duas colunas que eles escolheram assim: COISAS GRANDES/COISAS SIMPLES. A seguir, o grupo foi dividido em grupos menores e cada um compôs um verso, com rimas internas, para o poema, sendo que cada verso é composto de três coisas que os deixam felizes. Surgiu, assim o poema coletivo: UMA DÚZIA E MEIA DE COISINHAS À TOA QUE DEIXAM A GENTE FELIZ.

3º) Trabalhar com comparação, metáfora e personificação foi outra atividade que deixou a turma muito entusiasmada. O ponto de partida foi o poema “O leão” de Vinícius de Moraes, onde estes três recursos poéticos puderam ser percebidos. Transformar comparação em metáfora foi uma atividade muito apreciada. Cada um depois construiu sua própria metáfora falando do lugar onde vive. No exercício abaixo, a turma pode trabalhar com comparações. Antes, são levados a pensar num rio que corta a cidade, na sua rua, na escola, ou qualquer outro lugar significativo para eles.

Assim como_____________________, o rio da minha cidade é __________________.
O rio tem um cheiro que me faz lembrar de ______________________.
As águas do rio são _______________ feito ________________.
A cor do rio parece _____________________________.
A minha rua tem um ___________________ como _____________________.
Minha cidade se apresenta ________________ tal qual _________________.
Aquele(a) _________________ é _______________ como _________________.

4º) As relações entre som e sentido na poesia foram trabalhados observando a expressividade das repetições de palavras ou da mesma consoante (aliteração). Escrever textos com repetições como trava-línguas e trava-trovas deixou a turma literalmente apaixonada pela atividade. O poema abaixo, de Sidônio Muralha, foi um dos trabalhados e apresenta, além de várias repetições de palavras e de rimas, a aliteração.
Pássaro livre
Gaiola aberta.
Aberta a janela.
O pássaro desperta,
A vida é bela.

A vida é bela
A vida é boa.

Voa, pássaro, voa.

Falar e compor trava-línguas foram as atividades desenvolvidas nesta etapa. Veja algumas das produções dos alunos que foram feitas em grupo:
“O palhaço prendeu o prego no papo do pato.” (Marco, Pedro, Bryan e Ígor)
“O rato perguntou pro outro rato: Vamos fazer um travesseiro de trapo?” (Ítalo, José Roberto, Michael e Felipe)
“Paloma tem um periquita
Que come picolé, pipoca
E chupa piruito
E que brinca com palito.” ( Luiz, Maria Alice, Maria Vitória e Elisafar)
“Laís e Laura
Laura e Laís falam:
I Love leitura e literatura
E laço lilás.” (Laura e Laís)
“Brida e Bruna brincam
De braços cruzados.
Brincam de queda de braço
Dando vários abraços.” (Brida e Bruna)

5º) O poema “O buraco do tatu”, de Sérgio Caparelli, já havia sido trabalhado antes. O poema é composto de quadras em tom brincalhão parecido com o do trava-língua. A partir dele, foram retomados conhecimentos que os alunos já tinham a respeito do gênero, tais como: regularidade das estrofes (quartetos ou quadras), o tamanho dos versos, as rimas e as repetições. A sequência percorrida pelo “tatu” foi observada e analisada. A seguir, a turma foi dividida em 5 grupos. Cada grupo ficou encarregado por compor uma quadra sobre uma das cinco regiões brasileiras, escolhendo as cidades por onde o animal passaria e suas ações. Uma consulta ao mapa político do Brasil ajudou nessa tarefa. Os alunos foram orientados a manter o primeiro verso do poema (“O tatu cava um buraco”) e parte do terceiro (“quando sai...” ou “quando quer...”). A princípio, cada grupo deveria fazer apena s uma estrofe, mas a atividade foi tão divertida que eles ficaram à vontade para compor quantas quisessem. Veja o resultado que será exposto em um mural com o mapa do Brasil.

O buraco do tatu
O tatu cava um buraco
Se escondendo do urubu,
Quando sai pra respirar,
Já está em Caxias do Sul.

O tatu cava um buraco
À procura da arara,
Quando sai para pegá-la,
Já está em Araraquara.

O tatu cava um buraco
À procura de um novelo,
Quando sai pra tricotar,
Já está aqui em Curvelo.

O tatu cava um buraco
À procura de comida,
Quando sai para comer,
Já está em Aparecida.

O tatu cava um buraco,
Para encontrar sua filha,
Quando sai pra lhe encontrar,
Já está lá em Brasília.

O tatu cava um buraco
À procura de seu irmão,
Quando sai pra procurar,
Já está em Novo Airão.

O tatu cava um buraco
Ao encontro do mar,
Quando sai pra refrescar,
Já está no Ceará.

O tatu cava um buraco
À procura de um brasileiro,
Quando sai para olhar,
Já percorreu o Brasil inteiro.

Estas são algumas das atividades já desenvolvidas como parte das oficinas da Olimpíada de Língua Portuguesa. Abraços e boas férias.

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