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15 de mai de 2014

Entrevista: Educação Inclusiva

ENTREVISTADO: Professor Rogério da Fonseca Trindade (Professor das Séries Iniciais na Rede Municipal de Ensino de Curvelo/MG há 24 anos)
Instituição: ESCOLA MUNICIPAL DR. VIRIATO DINIZ MASCARENHAS
Professor: ROGÉRIO DA FONSECA TRINDADE
Tipo de aluno especial: SÍNDROME DE DOWN
Data da entrevista: 10/5/2014


O que é a inclusão escolar na sua opinião?
SIGNIFICA TRAZER PARA DENTRO DO AMBIENTE ESCOLAR REGULAR AQUELES ALUNOS QUE TRADICIONALMENTE SÓ ERAM ATENDIDOS EM ESCOLAS ESPECIALIZADAS DEVIDO ÀS SUAS NECESSIDADES ESPECIAIS, SEJA EM RELAÇÃO À LOCOMOÇÃO, À FALA, À VISÃO E OUTRAS. A INCLUSÃO PROCURA, ENTÃO, GARANTIR O ACESSO, A PERMANÊNCIA E A PARTICIPAÇÃO DE TODOS NA ESCOLA, INDEPENDENTEMENTE DAS CARACTERÍSTICAS SINGULARES DE CADA UM.

Como é trabalhada a inclusão com o aluno especial, e como é a sua dinâmica e interação com a turma?
NO CASO EM QUESTÃO, O ALUNO APRESENTA A TRISSOMIA DO CROMOSSOMO 21 (SÍNDROME DE DOWN). O MESMO APRESENTA UMA BOA INTERAÇÃO COM O RESTANTE DA TURMA. É MUITO QUERIDO E, ÀS VEZES, ATÉ SUPERPROTEGIDO PELOS COLEGAS. PARTICIPA DE TODAS AS ATIVIDADES EM GRUPO DESENVOLVIDAS EM SALA DE AULA, PORÉM COM ATIVIDADES INDIVIDUAIS DIFERENCIADAS LEVANDO EM CONSIDERAÇÃO SEU DÉFICIT COGNITIVO (DEMORA MAIS PARA APRENDER), UMA DAS CARACTERÍSTICAS DA SÍNDROME. CONTUDO, OS COLEGAS SÃO ORIENTADOS A DAR MAIS AUTONOMIA PARA O MESMO DEIXANDO-O, POR EXEMPLO, AMARRAR O PRÓPRIO CADARÇO.

Qual orientação foi recebida pelo professor, para esse tipo de trabalho de inclusivo?
RECEBEMOS ORIENTAÇÃO DA ESPECIALISTA EM EDUCAÇÃO (SUPERVISORA) QUE TAMBÉM FAZ O ATENDIMENTO ESPECIALIZADO CONTRATURNO DO ALUNO. ENTRETANTO, NÃO HÁ NENHUMA PREPARAÇÃO OU CURSO ESPECÍFICO, EXCETO NOS CASOS DOS PROFESSORES DE LIBRAS E BRAILE, UMA VEZ QUE A ESCOLA TAMBÉM FAZ ESSE ATENDIMENTO. É A CHAMADA  FORMAÇÃO CONTINUADA COMO GOSTAM DE DIZER OS ESPECIALISTAS. SEGUNDO ELES, VOCÊ SÓ APRENDE A TRABALHAR COM O ALUNO NA PRÁTICA. NO INÍCIO DO ANO, O PROFESSOR TEM ACESSO ÀS FICHAS OU LAUDO DO ALUNO E, A PARTIR DAÍ, TEM DE SE PREPARAR E ATUAR POR CONTA PRÓPRIA. NÃO POSSO DEIXAR DE DESTACAR QUE TEMOS O AUXÍLIO DA ESPECIALISTA EM EDUCAÇÃO A QUEM SEMPRE RECORREMOS NOS CASOS DE DIFICULDADE.

O processo das aulas responde à diversidade do alunado?
AS AULAS SE DÃO, SIM, DE FORMA DINÂMICA, DE MODO A POSSIBILITAR A PARTICIPAÇÃO DE TODOS. NESSE CONTEXTO, O ALUNO SE TORNA SUJEITO CONSTRUTOR DO SEU CONHECIMENTO.

Os alunos são ativos no seu processo de aprendizagem? Os alunos são estimulados a dirigir sua própria aprendizagem? Os alunos são estimulados a ajudar os colegas? Como isso é feito? Quais são as dinâmicas utilizadas e como aluno é orientado sem ser excluso?
COMO DITO ANTES, SIM. OS ALUNOS PARTICIPAM ATIVAMENTE DO PROCESSO ENSINO-APRENDIZAGEM. O ESTÍMULO À COLABORAÇÃO FAZ PARTE DO AMBIENTE ESCOLAR E OS COLEGAS GOSTAM MUITO DE AJUDAR AQUELES QUE APRESENTAM QUALQUER DIFERENÇA SEM NENHUMA IMPOSIÇÃO DA ESCOLA OU DO PROFESSOR. CONTUDO, SÃO ORIENTADOS A AJUDAR NA CONSTRUÇÃO DA AUTONOMIA DOS COLEGAS, AUXILIANDO-LHES NAS ATIVIDADES SEM, PORÉM, FAZEREM POR ELES. NO CASO ESPECÍFICO DO ALUNO PORTADOR DA SÍNDROME DE DOWN, ELE FAZ ATIVIDADES A NÍVEL DE 2º ANO DO ENSINO FUNDAMENTAL, MAS SEUS COLEGAS DE TURMA SÃO DO 5º ANO. MESMO ASSIM, ELE SE SENTE PARTE INTEGRANTE DA TURMA E NÃO SE SENTE EXCLUÍDO. É FELIZ LÁ E SEUS COLEGAS TAMBÉM SE SENTEM FELIZES POR TÊ-LO AO LADO DELES.

Existe alguma preparação da turma sem necessidade e da sala de aula, como alguma adaptação, para receber o aluno especial?
TODOS OS ALUNOS DA ESCOLA COM NECESSIDADES EDUCACIONAIS ESPECIAIS SÃO TAMBÉM ATENDIDOS NO CONTRATURNO. A ESCOLA POSSUI RAMPAS DE ACESSO À ÁREA INTERNA DA ESCOLA, AO PÁTIO E À SALA DE AULA PARA FACILITAR A MOBILIDADE DE CADEIRANTES. POSSUI TAMBÉM UMA GAMA DE RECURSOS ÁUDIO-VISUAIS PARA ATENDIMENTO A ESSE TIPO DE ALUNADO.

Como eles são avaliados?
OS ALUNOS COM QUALQUER TIPO DE NECESSIDADE EDUCACIONAL ESPECIAL SÃO AVALIADOS CONFORME A DIFICULDADE QUE APRESENTAM E TODA EVOLUÇÃO É VALORIZADA. SEUS PROCESSOS E DIFICULDADES SÃO REGISTRADOS NO PDI (PLANO DE DESENVOLVIMENTO INDIVIDUAL).

Qual a o maior desafio de trabalhar com alunos inclusivos com tal tipo de deficiência trabalhada na sua classe?

O MAIOR DESAFIO QUE TENHO ENFRENTADO NO TRABALHO COM A SÍNDROME DE DOWN FOI A FALTA DE INFORMAÇÃO INICIAL. NA INTERNET, MUITO SE FALA SOBRE AS CARACTERÍSTICAS FÍSICAS E DIFICULDADES DE QUEM A APRESENTA, MAS POUCO SUPORTE PARA QUEM TRABALHA EM SALA DE AULA. NO INÍCIO, TEM-SE A SENSAÇÃO DE IMPOTÊNCIA E DE QUE NADA VAI DAR CERTO. OUTRO ENTRAVE ACABA SENDO A PRÓPRIA FAMÍLIA QUE, MUITAS VEZES, É PERMISSIVA POR CAUSA DO PROTECIONISMO (O QUE É PERFEITAMENTE ACEITÁVEL PELO ENVOLVIMENTO EMOCIONAL), MAS QUE VAI NA CONTRAMÃO DO PROCESSO, UMA VEZ QUE, EM GERAL, ESTE TIPO DE ALUNO TEM DIFICULDADES EM CUMPRIR REGRAS. OUTRA DIFICULDADE É A ASSISTÊNCIA INDIVIDUAL QUE O ALUNO DEMANDA ESTANDO NUMA CLASSE DE 5º ANO, MAS COM NÍVEL INTELECTUAL DE 2º ANO. ISSO FAZ COM QUE O PROFESSOR TENHA DE SE DESDOBRAR TANTO EM CASA, NA PREPARAÇÃO DE SUAS ATIVIDADES, QUANTO EM SALA DE AULA JÁ QUE A DEPENDÊNCIA DO ALUNO É GRANDE. PORÉM, VALE SALIENTAR QUE O TRABALHO COM ESTE TIPO DE ALUNO É MUITO GRATIFICANTE. FAZ-NOS PARAR PARA PENSAR NO VERDADEIRO SENTIDO DA VIDA, ENSINA-NOS A NOS COLOCAR NO LUGAR DO OUTRO E ENXERGAR O NOSSO ALUNO COM OUTROS OLHOS: OS OLHOS DO CORAÇÃO. 

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